Será que você é tão inteligente quanto acha que é?

Esse título é uma pergunta forte, de afronta, que possivelmente pode ter te deixado chocado. Certamente alguns dos sentimentos como, por exemplo, raiva, angústia, desprezo ou qualquer outro dos possíveis sentimentos podem ter vindo à tona neste curto espaço de apenas alguns segundos – e isto foi de propósito para provar um ponto importante – essa é apenas uma das inteligências que existem no ser humano – A que estou usando neste momento é uma inerente as minhas faculdades, a linguística.

Obviamente existe um motivo especial em tratar de um texto desta categoria em um portal cujo o objetivo é levar informações sobre empreendedorismo, gestão, marketing, publicidade, enfim, tudo o que rodeia o mundo digital voltado a negócios. O motivo é baseado em gestão, carreira e ética.

Quando costumo falar de ética eu gosto muito de citar a estrutura que o filósofo brasileiro Mario Sergio Cortella criou, pois – pra mim – é definitivamente a mais coerente, leia com atenção.

Ética é um conjunto de valores e princípios que você e eu usamos para decidir as três grandes questões da vida, que são: Quero? Devo? Posso? Isso é ética. Quais são os princípios? Tem coisa que eu quero, mas não devo. Tem coisa que eu devo, mas não posso. Tem coisa que eu posso, mas não quero. Quando você tem paz de espírito? Você tem paz de espírito quando aquilo que você quer, você pode e é o que você deve.

Claro que tudo está regido sobre uma conduta de criação, vivência e experiências obtidas ao longo do trajeto de vida do ser humano.

Talvez o mês passado foi o mês em que mais me deparei com essas questões quando o assunto era discutir múltiplas inteligências, praticamente a todo instante eu estava envolvido com uma ou outra discussão na qual existia a busca por definir quem é o melhor que os demais. E muitas vezes as bases para tomada de respostas eram completamente ridículas a ponto de se permitir considerar-se máquina ao invés de ser humano. Ou então o pior dos critérios que é a empatia.

Essa busca incansável por considerar-se melhor, maior, mais inteligente e que ao mesmo tempo só reflete tamanha ignorância do ponto de vista científico já que o fator de negligenciar a inteligência alheia lhe é por prova de que certamente você não é tão inteligente quanto pensa ser… Ainda mais, pelo fato de que você é incapaz de reconhecer a inteligência alheia, esse pequeno impedimento te faz no mesmo segundo tão ignorante quanto aquele que você tenta agredir verbalmente ou denegrir-lhe a imagem.

É realmente um beco sem saída onde somente a ética, o respeito com o próximo, tende a ser ferramenta útil para que você não passe a imagem de mero boçal. E que talvez lhe permita crescer nas duas esferas – a social, como ser humano – e a intelectual, como ser humano. Sim, foi uma provocação citar duas vezes a categoria – ser humano.

Aproveito e faço mea-culpa neste momento, pois muitas vezes eu realmente ignorei a inteligência de terceiros por ser incapaz de reconhecê-la – o que mostra que já fui mais ignorante do que deveria, menos inteligente do que gostaria. Mas convenhamos que tem pessoas que tem a habilidade de esconder seus talentos intelectuais ou físicos, chega a ser impossível imaginar de que dela possa sair algo de valor, algo útil…

Com o passar do tempo, a conquista de novas experiências, conhecimentos e, por fim, a convivência com essas tantas outras inteligências me permitiram sair de uma posição limitada para este momento que estou aproveitando para alimentar minha sede por intelecto. Afinal, do momento que você passa a reconhecer a existência das demais inteligências e a respeitá-las como se deve, você passar a dar mais espaço em seu consciente para identificar novidades, informações e experiências que outrora não lhe eram cabíveis. E um testemunho que posso dar é – Não era tão inteligente como imaginava ser (se já é difícil pensar, imagina então escrever tal coisa…).

Uma das máximas da capacidade criativa e inovadora do ser humano é reconhecer as variáveis, ou seja, respeitar (não quer dizer aceitar na totalidade) as diferenças, as coisas que não são comuns. Veja que um publicitário que tenha o mínimo de capacidade criativa ele é mais capaz de acordo com o nível de cultura inútil que ele possuí. Parece estranho dizer isso, mas para eles é um grande elogio. Quer dizer que a quantidade de culturas, de informações, de curiosidades, de sons, de cores, de texturas, de imagens, de locais, de pessoas, enfim, de tudo o que você possa imaginar, mesmo que não tenha ligação direta com publicidade, mas é isso tudo que forma a capacidade criativa destes profissionais, é essencial ter essa quantidade enorme de cultura inútil, é isto que os capacita a juntar peças do grande quebra cabeça que é montar coisas criativas e inovadoras na área da comunicação (restritamente a isso, convenhamos que nada mais que isso).

Viu como é importante respeitar a diversidade e ao mesmo tempo reconhecer que existem diferenças e que é importante conhecê-las – porém sem perder sua identidade, gostos, convicções e crenças? Isso é o início do processo criativo, assim como o início do desenvolvimento da inteligência ampla – afinal de contas é muito chato ter apenas uma “inteligência”.

 

Mas que inteligências são essas?

 

São 8 inteligências que foram classificadas a partir da década de 80 por cientistas e psicólogos de Harvard. O tema era – Como conseguir descrever o conceito de inteligência? Para responder essa questão muito ampla foi necessário quebrar a barreira do ego e compreender que sim, existem pessoas muito superiores do que nós em diversos aspectos e que isso poderia ser classificado como inteligências. Em resumo prático muitas pessoas determinam como dom aquilo que muitas vezes é apenas aprendizado – ou pelo menos existe um desenvolvimento de talentos de acordo com o aprendizado. Algumas pessoas estão mais predispostas a arte, a musica, outros – por sua vez – estão mais envolvidos com a ciência, com cálculos, com oratória…

Alguns até conseguem misturar diversas dessas inteligências – mas não são todos.Porém isso não os faz superiores exatamente – não, pelo contrário – certamente serão tão péssimos em uma ou mais das inteligências que não possuem. É engraçado – parece que a vida compensa e equilibra.

O que a pesquisa acaba comprovando é que na verdade uma criança ou adulto que tem determinada facilidade para oratória não é mais inteligente de que uma que tem habilidades com artes, ou uma que é melhor em matemática seja superior ao esportista. Pelo contrário, a pesquisa acaba por comprovar que cada um em seu campo pode se tornar o gênio que o de outro campo jamais conseguiria um dia sonhar em ser, a única classe que de certa forma pode rotular grau de inteligência é a mesma classe pertencente – ou seja, se você é competente em exatas, quando se trata de exatas você pode sim determinar níveis de intelecto dentro desta categoria, mas você não tem competência para determinar ser mais inteligente ou menos inteligente do que quem lida melhor com, por exemplo, a inteligência espacial.

 

 

As 8 categorias de intelecto são:

 

Lógico-matemática:

Essa é uma das mais amplas e que pode ser fragmentada em diversas partes por se tratar de conceitos da ciência lógica e exata. Por exemplo, um profissional da área de planejamento não necessariamente precisa dominar a área de exatas como um analista de dados, porém ambos estão nesta categoria. São pessoas com facilidade e habilidades desenvolvidas para analisar, reter dados, constatar e aplicar resultados de forma bastante racional. Porém o analista de dados nunca será exímio planner, assim como o planner nunca será exímio analista de dados.

Linguística:

Você já viu aquele amigo que tem facilidade de estudar diversos idiomas e você ainda se batendo para aprender inglês? Pois bem, existem pessoas com tal característica, mas essa classe de inteligência não trata só de quem tem facilidade de aprendizado de idiomas, mas também daqueles que tem habilidades linguísticas gerais como, oratória e escrita - exemplo prático: escritores, palestrantes, professores e tantos outros que possuem tais habilidades avançadas em comunicação e percepção de comunicação/público/ambiente.

Musical:

Esta habilidade, voltada mais para a arte, pode ser a mais fácil de compreender - porém não tão fácil de aplicar, pois mistura bastante a essência do famoso talento, do dom, da total predisposição - do real interesse do individuo e a sua capacidade de desenvolvimento inicial natural, para depois, o treinamento sólido. Aquele seu amigo que vivia com o violão e uma roda de meninas e que você fica invejando - sim, ele tem uma inteligência musical - talvez você não tenha e por isso ficava frustrado com ele, que naquele momento era o centro das atenções. Não significa que ele é mais inteligente que você, assim como você que se frustrou e desenvolveu fortemente outras inteligências para superá-lo não está em condições para tal porque são inteligências distintas. O tiro saiu pela culatra (rs)...

Espacial:

Essa inteligência é bastante interessante porque vem carregada de um conceito e de multitarefas possíveis. Ela é a capacidade de compreender o mundo a sua volta, espaços, objetos, detalhes, enfim - tudo que é tangível-visual quem possuí tal inteligência tem a capacidade de transformar, modificar e reestruturar de forma bastante facilitada. É a inteligência predominante em profissionais das áreas de arquitetura, artes, profissionais que demandam noção de espaço e localização como navegadores, pilotos, assim como esportistas tem essa inteligência também - ou você achava que era pura sorte um jogador de futebol acertar facilmente um alvo tantas vezes em sequência? A capacidade espacial une o cérebro com as experiências físicas necessárias para tal tarefa de forma muito mais facilitada que qualquer outra inteligência - chama-se de Memória Muscular.

Corporal-cinestésica:

Outra inteligência que faz uma ligação avançada com a memória muscular é a Corporal-cinestésica, também predominante em esportistas, mas também em dançarinos, por exemplo. Profissionais que precisam do corpo como instrumento tem essa inteligência mais desenvolvida.

Intrapessoal:

A inteligência intrapessoal é uma das mais raras, que é a capacidade de autoanalise, sem autossabotagem - claro. Profissionais como escritores, que tendem a transmitir fortes emoções através dos seus textos tem tal predominância intelectual. Profissionais que trabalham em áreas de análise e aconselhamento tendem a esta inteligência.

Interpessoal:

Essa é uma das inteligências com mais destaque nos dias atuais, não tão facilmente encontrada, mas extremamente necessária. É a habilidade de compreender melhor as motivações, os desejos, as intenções dos demais. São os profissionais que entendem de pessoas, praticam e operam sua profissão baseados em relacionamentos, em pessoas. Uma das questões mais complexas para esse grupo de inteligência é justamente a questão ética, até onde posso usar da minha inteligência? Eis um grande dilema.

Naturalista:

Alguns caracterizam como sendo a inteligência mais enraizada e primitiva de todas as que se pode desenvolver baseadas em estudo. Não sei se é certo tal classificação, porém faz todo sentido. Essa inteligência é predominante em profissionais das áreas de biologia, geologia, medicina veterinária e outros que tenham envolvimento direto com matérias naturais, orgânicas ou não.

Existencial:

Uma ainda não muito definida, mas identificada em algumas pessoas é a inteligência existencial. Quase que um mistério porque abrange praticamente todas as demais e esforça-se para a proibição de achar-se superior, pois de fato ela é a inteligência da reflexão, do questionamento, vista facilmente em profissionais que trabalham linhas da sociologia e filosofia, são os pensadores, cientistas com cunho social...

 

 

Se eu pudesse classificar em ordem tais inteligências seria sempre voltado a algum interesse, por exemplo - se por grau de importância eu fosse classificar a Existencial e a Linguística como sendo principais, seguidas da Intrapessoal e Interpessoal eu estaria apontando mais para pessoas e menos para profissionais-máquinas, como costumamos nomear. Porém seria um erro, pois para cada situação um grau de importância seria necessário e mudaria a ordem de valor das inteligências classificadas. Portanto, o que é importante e quero deixar claro neste texto é que você, de fato, não é mais inteligente do que os demais, a não ser do seu grupo - e vale ressaltar que certamente existe alguém muito mais inteligente do que você dentro deste grupo. O que acaba por ser impossível de classificar valores mesmo dentro dos grupos - a não ser em momentos muito específicos. O que nos leva a tentar treinar um pouco mais a nossa humildade, não é mesmo?

Fica então a provocação ao pensamento - são quase 3 horas da manhã e eu estou aqui, filosofando, tentando trazer consciência, quem sou eu? Qual(is) a(s) minha(s) inteligência(s)? Essa resposta não vem ao caso, o que importa é você ter um pouquinho de inteligência intrapessoal para poder definir-se baseando-se nessas classificações e, se feita essa ação com veracidade e integridade, certamente você passará para um estágio um pouco mais além do que a maioria das pessoas que é a compreensão das suas capacidades e das dos demais, o que te leva a ser mais pleno como ser humano, o que é bastante importante - acredito que você concorda comigo.

Fico por aqui, feita a provocação eu me sinto então com minha missão de hoje concluída, e desejo a todos muito sucesso - Tente agora focar nas suas habilidades e respeitar as dos demais, afinal de contas - certamente você está vivendo sobre o teto que alguém com inteligência espacial projetou, que outro com corporal-cinestésica construiu, está lendo esse artigo criado por alguém com predominância para existencial, que só podes ler porque tem um dispositivo criado por alguém lógico-matemático, mas que só é compreensível porque foi aplicada inteligência linguística, talvez esteja ouvindo uma musica de fundo que foi feita por alguém com inteligência musical, se você estiver no trânsito, dentro de um táxi, é bom que o motorista tenha inteligência espacial para não cometer erros e causar um acidente colocando a sua vida em risco, é possível que o táxi esteja te levando para o shopping - onde você vai encontrar aquela vendedora que tem inteligência interpessoal e que parece ler os teus anseios, e que ao mesmo tempo você tenta compreender como ela faz isso e se força a conhecer a si próprio um pouco mais a ponto de buscar treinar a sua inteligência intrapessoal e que de tanta dor de cabeça para fazer essa tarefa você passou na farmácia para comprar um remédio natural que foi desenvolvido por um profissional com inteligência naturalista.

Agora tenta me convencer de que alguém é mais inteligente que outros, ou mais necessário, quando o assunto é mais amplo do que o seu mundinho do escritório. Até nele, na verdade, as múltiplas inteligências serão responsáveis por permitir tal ambiente... Quer que eu continue? E você achando que era a última bolacha do pacote...

 

 

Sobre Luiz Castro

Luiz é um profissional diferenciado que estudou desde Direito a Marketing, Psicologia a TI para poder sentir-se capacitado para desenvolver seus projetos e projetos de clientes. Profissional de Gestão/Modelagem de Projetos Digitais, especialista e-Commerce pela AlpisConsultoria.com, também é palestrante, colunista e aspirante a escritor (rs), já participou de projetos startup e projetos já em processo de estabilidade.

1 Comentário

  1. Andressa

    O texto que desmistifica ideia de que alguém é mais inteligente que outro alguém, é simplesmente maravilhoso. Excelente argumentação. Parabéns ao autor! Mas gostaria de saber quais os textos mais indicados de Mário Sérgio Cortella, cujo o foco seja o tema ética? Gosto de estudar sobre o assunto… Obrigada!

    Responder

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